Loucura total!

Este é o jogo que todos os adeptos e ultras portistas anseiam. É o jogo mais intenso, mais dramático e mais importante do campeonato. É o jogo contra os nossos maiores rivais, o jogo que mais custa perder e o que dá mais prazer ganhar. Os jogos entre Porto e benfica começam sempre a ser jogados bem antes do dia do jogo e este não foi excepção. Os dirigentes dos dois clubes foram-se atacando na praça pública durante a semana que antecedeu a partida e assistimos a uma nova rábula com os bilhetes. Desta vez, foram os dirigentes do slb que se esqueceram de pedir os bilhetes a que tinham direito, dentro do prazo definido pelos regulamentos. Ainda pediram compreensão pela incompetência dos seus funcionários, mas os dirigentes portistas não acederam aos seus pedidos. Era a única coisa que podiam fazer, pois, apesar de lamentarmos a ausência dos nossos adversários, não esquecemos o que aconteceu há dois anos, quando a SAD benfiquista não cedeu nenhum bilhete aos adeptos azuis e brancos, ao considerar que o pedido de bilhetes, que foi feito via telefone, não era válido, apesar dos regulamentos da Liga não especificarem que os pedidos tinham de ser feitos por escrito.
O dia do jogo começou cedo, muito cedo para os ultras do GMU. Ainda não eram nove horas da manhã e já mais de 20 GMU’s trabalhavam na coreografia dessa noite, em conjuntos com outros tantos elementos dos SD. Foi uma manhã de muito trabalho, a colocar milhares de cartolinas nos respectivos lugares, mas foi também uma manhã divertida, animada e bem passada. Como já temos algum “calo” nestas coisas, tudo ficou pronto por volta da hora de almoço e enquanto uns foram para casa, outros foram para o shopping mais perto matar a fome e a sede que já apertavam e aí ficamos até faltarem cerca de duas horas para o início do encontro. A partir dessa altura fomos entrando no estádio, fosse com lugar anual, com bilhete ou pela “porta do cavalo”.
Cedo se percebeu que o sector GMU ia ser pequeno para albergar toda a gente. De facto, neste jogo, o grupo teve uma presença fantástica, não faltou ninguém. Até à hora do jogo foi tempo para convívio e antevisão da partida que se aproximava. O estádio ia enchendo de portistas, sobrando apenas um pequeno triângulo que presumivelmente estaria reservado para os lampiões que tivessem conseguido arranjar bilhete.
As equipas entram para o aquecimento e o ambiente começa também a aquecer, com os apupos do costume para os vermelhos e a ovação não menos habitual para os jogadores que defendiam as nossas cores. O nervosismo começava a aumentar e já havia aquela atmosfera especial dos grandes jogos. O tempo passava devagar e já ninguém conseguia tirar os olhos do relógio. Os jogadores regressam para o balneário e aparecem os primeiros cânticos de apoio ao grande Porto.
Pouco depois as equipas saem do túnel e surge a coreografia preparada para este jogo. 50 mil cartolinas no estádio todo formam um oceano azul e branco. Na superior sul formou-se o já famoso 12, símbolo do 12º jogador, aquele que está sempre convocado e é intransferível; na parte inferior da bancada nascente lia-se FC PORTO, enquanto na parte superior via-se o ano de fundação do nosso clube, 1893; no resto do estádio listas verticais de azul e branco coloriam a casa do Dragão. Nada de original, nada de inovador, mas sempre espectacular e bonito de se ver. A acompanhar a coreografia, todo o estádio cantava alto e bom som, concedendo ao clássico um ambiente fantástico.
É dado o pontapé de saída e o Porto parece galvanizado pelo excelente apoio prestado pelos seus ultras. Tanto dentro como fora das quatro linhas o início é avassalador por parte dos portistas. A curva sul cantava com um poder não visto há muito tempo, enquanto a equipa portista entrava a todo o gás, procurando marcar a partir do primeiro minuto. O golo aparece aos doze minutos, com alguma sorte, mas inteiramente merecido e é a primeira explosão de alegria da noite. A euforia invade o Dragão e o ambiente continua fabuloso. Pouco depois o ambiente fica ainda mais ao rubro com a entrada dos poucos lampiões que conseguiram bilhete e que chegaram mesmo a tempo de assistirem ao nosso segundo golo. E que golo! Ricardo Quaresma deixa Nelson à nora e fabrica um grande momento de futebol. O estádio delira e mais uma vez Vítor Baia é lembrado, provando (se mais provas fossem necessárias) a sua influência e importância no balneário como último símbolo da mística do clube. Pouco depois, o primeiro revés do jogo: a lesão de Anderson após uma entrada de Katsouranis, que está há pouco tempo no nosso país, mas pelos vistos já aprendeu alguma coisa com Petit. A partir daí, o Porto perdeu o controlo do jogo e foi Hélton que nos permitiu ir para o intervalo a vencer por 2-0. Foi uma primeira parte que nos deu dois golos e onde os ultras portistas estiveram em excelente nível, com uma prestação vocal como há muito não se via em jogos realizados em casa.
A segunda parte começou como acabou a primeira: com o Porto retraído, cedendo o domínio da partida ao adversário. Também os adeptos perderam fulgor, depois do da primeira parte, apesar de nunca se ter parado completamente de cantar. O GMU bem se esforçava e de vez em quando lá havia bons momentos de apoio, intercalados por períodos de alguma apatia.
Surge o primeiro golo dos lampiões, quando havia ainda meia hora para se jogar. Apesar de preocupados, continuámos a tentar empurrar a equipa para a frente, mas esta parecia receosa. As substituições operadas pelo treinador portista pareciam não ajudar e já perto do fim surgiu o empate e um grande balde de água fria no recinto do campeão nacional. Viviam-se momentos de incredulidade e desespero no reino do Dragão, pois um jogo que parecia decidido com vinte minutos jogados, estava agora empatado a pouco tempo do final.
Quando o 4º árbitro levantou a placa que indicava três minutos de compensação, já muitos sócios portistas abandonavam o estádio e já poucos acreditavam na vitória. É então que há um lançamento lateral perto da área benfiquista e, num acto de desespero, a bandeira da sorte do GMU, que já nos deu um campeonato, é colocada em “posição de ataque”. Fucile lança a bola para dentro da área e, depois de muita confusão, vemos a rede abanar e o esférico dentro da baliza adversária... O estádio veio abaixo! É difícil explicar ou descrever a euforia que se seguiu, mas foi como se uma bomba explodisse! Os jogadores festejam junto a nós e o jogo termina logo a seguir. Nós ficamos dentro do estádio largos minutos a festejar em comunhão com os jogadores que conseguiram uma suada vitória, com muita sorte à mistura. Mas assim até sabe melhor e o que interessa são os três pontos e mais uma épica vitória que vai ficar eternamente na história como uma das mais complicadas de sempre.
Só muito tempo após o apito final do árbitro é que abandonamos o estádio, depois de muitos festejos e dum clímax fantástico, a lembrar Manchester e Sevilha. Fomos então celebrar para o sítio do costume, para terminar em beleza um dia longo, muito cansativo, mas com um final feliz e que compensou todo o nosso esforço. Porque o nosso amor é eterno e a nossa fé é infinita!